OUTUBRO 2008
Caro Associado,
Este mês, para seu conhecimento, envio na integra carta que redigi à CET:
“À
CET - Companhia de Engenharia de Tráfego
Em resposta à proposta de implantação de um projeto de “Traffic Calming” e mudanças de direção em determinadas vias, apresentada pela CET oficialmente, desenvolvido por seus técnicos, apresentamos a seguir as razões pelas quais o aprovamos parcialmente:
Vemos com simpatia e aprovamos as medidas que visam implantar medidas de "Traffic Calming" no Jardim Paulistano na área objeto de estudo compreendida no perimetro constituido pelas vias Alameda Gabriel Monteiro da Silva, Rua Joaquim Antunes, Av. Rebouças e Av. Faria Lima fechando com a Alameda Gabriel Monteiro da Silva.
Tais medidas como restringem a circulação de veiculos, reduzindo o seu numero e velocidade, contribuirão para trazer maior tranquilidade ao bairro.
No entanto, somos contrários ao retorno de mão dupla em toda a extensão da rua Sampaio Vidal, pois o sistema implantado pela CET da mão única em determinado trecho, foi uma importante parcial vitória coibidora da entrada de veiculos nesse quadrilátero, ao produzir uma sua redução significativa. Foi evitado assim que a rua Sampaio Vidal se transformasse em via auxiliar da Av. Rebouças no trecho em que são paralelas. A invasão de veículos que daí adviria, resultaria em invasão paulatina porém certa, posterior, em todas as vias do bairro, dada a pressão crescente do aumento da frota de veículos circulantes em toda cidade, mas especialmente em seu Centro Expandido onde se situa o Jardim Paulistano.
Somos sim favoráveis a conferir o papel de via atravessadora do bairro ao conjunto formado pelas ruas Joaquim Antunes e sua continuação pela Groenlandia a partir da Av. Rebouças, as quais já tem esse papel, que assim apenas será confirmado.
Para isso no entanto torna-se necessário a inversão de mão da Capitão Prudente e da Maria Carolina, nas quadras entre a Av. Rebouças e para Sampaio Vidal, pois é por ali que ainda entram veiculos atravessadores do bairro, em número crescente, a medida que entram em circulação várias centenas de veículos a mais por dia na cidade de São Paulo.
Aceitamos dar mais voltas para chegarmos em nossas casas ou dela sairmos desde que esse seja o preço a pagarmos para manter a desejada tranquilidade em nossas casas e nas vias, de modo a podermos manter o uso da via como espaço de convívio social entre os moradores e mesmo de visitantes que queiram usufruir das suas vias e praças, bonitas e arborizadas, não como espaço de mera passagem de veículos que os transportam. Para isso se faz mistér controlar o volume e tipo de veículos que por ela transitam. As medidas de "Traffic Calming" como propostas, contribuem, mas não são suficientes, no nosso entendimento.
Isso porque os estrangulamentos previstos nas vias, embora conduzam para que o tráfego se reduza a uma única faixa e não a duas como sem ele ocorreria, não impede que com o tempo e que não será longo, dado as facilidades de crédito que estão sendo dadas na aquisição de veiculos, se forme uma fila contínua de veículos, se não se controlar o número de veículos entrantes em cada via.
Por isso propusemos como alternativa a inversão de mão das ruas Capitão Prudente e Maria Marcolina, uma semaforização nas suas entradas a partir da Av. Rebouças e regulando-se o seu tempo de abertura e fechamento de modo a que se controle o volume de veículos, não permitindo que o mesmo supere o teto de 250 veículos por hora, por faixa, por sentido. Esse parâmetro é resultado de estudos de "Traffic Calming" realizados por Donald Appleyard da Universidade da California, Berkeley. Ele garante um convivio positivo entre veículos e usos lindeiros às faixas carroçáveis, seja nas calçadas, seja nos edifícios vizinhos.
Sabemos que o uso de semaforização com esse objetivo de "Traffic Calming" é pouco utilizado.
E, é pelas dificuldades que possa apresentar o uso de tais dispositivos com essa finalidade que continuamos a defender a simples inversão de mãos de direção nas vias Capitão Prudente e Maria Carolina. Pois com ela obteremos o mesmo resultado de impedir a formação de extensas filas de automóveis nas vias internas ao bairro, como já vem acontecendo com a Mariana Correia e a Maria Carolina, e que queremos eliminar. Essas filas, como dissemos, tendem a se distribuir por todas as vias do bairro.
Ao acertar a implantação do projeto do “Traffic Calming” tal como proposto pela CET, com as alterações de mãos de direção do tráfego, este invadirá pouco a pouco por igual, todas as ruas do bairro em fila indiana, nos horários de pico. Estes, como se sabe, estão aumentando sua amplitude de tempo, na medida que os congestionamentos vão se intensificando.
As 2 soluções alternativas que defendemos beneficiarão a todos os moradores igualmente, enquanto a solução proposta, que possibilita o tráfego livre em todos os sentidos, com tempo produzirá uma piora geral , por igual, para todos os moradores e por isso não a podemos aceitar.
Não reconhecemos como legitima a alegação de que é um valor elitista este de defendermos ruas tranquilas para morar. É um desejo da grande maioria dos paulistanos de todas as classes sociais (sublinhamos) conforme pesquisas já realizadas e que continua a se confirmar, especialmente quando os paulistanos vêem o espaço urbano onde se situam suas residências, ser cada vez mais invadido pelos veículos em número excessivo, que tira a desejada tranquilidade.
Como esse não é apenas um problema do Jardim Paulistano mas de todos os bairros da cidade, entendemos que podemos aguardar o momento em que seja possível assegurar essa qualidade para um grande número de cidadãos que a desejem. Este Presidente da SAJEP está convencido que esse objetivo só será alcançado quando o volume de veículos que transitem pelas vias da cidade seja compatível com a sua capacidade fisica de um lado, e de um outro com o tipo de ambiente que se deseja dele, os seus moradores lindeiros e usuarios, sejam elas do tipo residencial, do tipo comercial, do tipo industrial ou do tipo misto, com variadas mesclagens de usos definidas por um zoneamento revisto em relação atual. Os tipos atuais radicalizam; de um lado, temos zonas mistas com um máximo de mesclagem e de outro as ZER zonas estritamente residênciais, com um mínimo. É preciso por exemplo, criar-se um tipo de zona mista onde além de residênciais permita-se apenas o uso local de comércio e de serviços, de apoio a moradia. E devemos também, sempre e crescentemente, ensejar e até induzir o uso da via em suas calçadas e usos lindeiros por pedestres, como espaço enriquecedor de convivio social. Esse convivio social no espaço urbano é a qualidade maior de uma cidade. É um importante ingrediente do que chamamos urbanidade e o mesmo está sendo perdido pela excesso de veículos que destrõem o ambiente propício a esse convivio. A Avenida Santo Amaro é uma dramático exemplo desse fato.
Paris, no seu centro histórico e Barcelona nas “ramblas” tem espaços de qualidade emblemática quanto ao convívio social que propiciam.
Uma gigantesca metrópole como São Paulo com o sistema víario precário, que é impossível de ser ampliado na proporção que seria requerida pela demanda, só alcançará esse objetivo com um transporte coletivo de qualidade, que possibilite que um grande número prefira deixar o carro em casa e utilizá-lo apenas a noite, nos finais de semana, feriados e férias.
Enquanto a solução definitiva não vem, pois depende da ativação dos poderes constituidos Federal, Estadual e Municipais nessa mesma direção, o que acreditamos, será o resultado de uma cada vez maior e já enorme pressão social, que a realidade dos congestionamentos crescentes, estão produzindo, não devemos deixar que se destruam os poucos espaços urbanos de qualidade ambiental que ainda existem. Devemos sim levantar o nivel dos que não conseguiram ainda as qualidades desejadas. Deve ser esse o objetivo de todos, sem precisarmos reduzir com isso o nível dos que já o conseguiram.”
Cândido Malta Campos Filho
Presidente
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